A Sala em Branco nasce da vontade d’A Turma de criar um espaço de tempo e disponibilidade para a investigação artística, acolhendo projetos em diferentes momentos dos seus processos de criação. Mais do que um lugar de apresentação, o programa procura oferecer condições para experimentar, testar, reformular e desenvolver ideias, valorizando também os momentos de incerteza e de risco que fazem parte de qualquer processo artístico.
É neste contexto que acolhemos Agostina, de Sara Montalvão, o primeiro projeto selecionado para esta edição da Sala em Branco. Em fase de investigação, a criação parte do feminicídio da adolescente Agostina Vega, ocorrido em Córdoba, na Argentina, em maio deste ano, para refletir sobre as violências que atravessam os corpos femininos e sobre a forma como estas se inscrevem na memória individual e coletiva.
A residência permitirá dar continuidade a esta pesquisa, explorando a relação entre corpo, memória e violência através da coreografia, do som e de material documental. Entre arquivos mediáticos, vozes, textos, composição sonora, plástica e corporal, Agostina procura construir um território onde o íntimo e o político se encontram, abrindo espaço para pensar não só as diferentes formas de violência, mas também outras possibilidades de cuidado, relação e transformação.
É precisamente neste lugar de pesquisa, experimentação e procura que a Sala em Branco se propõe estar: como um espaço disponível para que os projetos possam parar, questionar, experimentar e descobrir novos caminhos.
Sinopse
Agostina nasce do eco de uma ausência. A partir do caso do feminicídio de uma adolescente, a criação atravessa corpos, vozes e memórias para escutar aquilo que insiste em permanecer. Entre batidas, arquivos sonoros, discursos fragmentados e movimento, a repetição transforma-se em pulsação, denúncia e resistência. Em cena, o corpo (ou a ausência dele) torna-se arquivo sensível, lugar onde o íntimo e o político se encontram, procurando retirar a violência do campo do espetáculo para a devolver à experiência humana que a atravessa.