Em 2021, A Turma lançou a primeira Bolsa de Apoio à Criação Emergente, dirigida a criadores das artes performativas. A bolsa destinou-se a novas estruturas e/ou criadores que não se encontrassem ao abrigo de qualquer apoio da DGArtes, consistindo na atribuição de um apoio financeiro e na cedência de espaço de trabalho para o desenvolvimento do pensamento, da pesquisa, da experimentação e da criação artísticas. A iniciativa, realizada no espaço Fontinha 73, no Porto, recebeu dezenas de candidaturas.
O projeto selecionado foi A Morte da Sereia, de Inês Filipe. Recém-licenciada em Interpretação e pós-graduada em Dramaturgia e Argumento, a atriz, dramaturga e encenadora reuniu um coletivo de jovens criadores para desenvolver uma nova dramaturgia a partir de A Dama do Mar, de Henrik Ibsen, convocando também a releitura crítica de Susan Sontag.
O resultado da residência foi apresentado publicamente, num registo informal, a 29 de outubro de 2021, no espaço Blackbox d’A Turma. A estreia oficial aconteceu a 10 de dezembro, no Auditório do Grupo Musical de Miragaia.
Sinopse
À beira-mar, uma jovem sereia salva um marinheiro durante uma tempestade. Entre ambos nasce um amor arrebatado. Para permanecer ao seu lado, ela abdica da água e transforma-se em mulher. O gesto parece livre, mas traz consigo a renúncia.
Dividida entre o chamamento do mar e a vida em terra, a sereia confronta-se com uma inquietação crescente - até que ponto a escolha foi realmente sua? Ao revisitar o universo de Ibsen, “A Morte da Sereia” transforma a fábula numa reflexão sobre identidade, autonomia e igualdade de género, questionando as estruturas invisíveis que moldam desejos e destinos.
Mais do que uma continuação de um clássico, o espetáculo afirma-se como um gesto de reescrita e de emancipação.
Apoios
República Portuguesa - Ministério da Cultura: Programa Garantir Cultura
Auditório do Grupo Musical de Miragaia
© Igor de Aboim